quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Mundo Azul ou Cor-de-Rosa?

Esta é uma pergunta que se faz muitas vezes às grávidas: "Então, já sabes de que cor vai ser o teu mundo?" Isto referindo-se ao sexo do bebé, se for menino será azul, se for menina será cor-de-rosa... E nos grupos de mães, que gosto muito e dos quais já falei aqui, esta é também uma questão recorrente.

Confesso que esta pergunta, feita desta forma, me irrita um bocado... Podem perguntar o que vou ter e não tenho problemas em responder, mas limitar o meu mundo a apenas uma cor, de acordo com o género da cria que está para chegar é algo que efetivamente me faz alguma confusão!

Da primeira vez veio um menino, e sim tinha muita coisa azul no seu enxoval, porque era o que me ofereciam mais e também porque na altura eu não estava tão consciente destas limitações que se colocam às crianças no que toca aos seus gostos e à sua personalidade, com base no sexo. Mas eu adorava vê-lo com cores mais fortes, ou com roupas de cores variadas, e conforme foi crescendo os azuis foram diminuindo no seu roupeiro. 

Com o meu filho aprendi muita coisa, e esta foi uma delas, ele gosta de laranja e vermelho, são as suas cores preferidas. E custa-me quando ele não quer levar para a escola uma camisola Bordeaux ou Rosa, quando até são cores que ele gosta (e fica lindo nelas), mas como a sociedade não aceita que os rapazes vistam essas cores e porque alguns coleguinhas, que já são influenciados por esses preconceitos, criticam-no, ele prefere proteger-se, e eu também...

Portanto este enxoval tem sido feito com cores variadas e não tenho qualquer problema em aceitar coisas usadas "de menino" ou "de menina". Até porque vem aí um bebé arco-íris para dar mais cor ao meu mundo, que, para quem não sabe, são crianças que nascem de mães que passaram por uma perda gestacional ou pela morte de um filho.

Esta falta de liberdade, estas limitações, estes preconceitos começam nas cores, mas não acabam aqui infelizmente, como este poema tão bem ilustra e que não podia deixar de partilhar!



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Perdemos uma grande amiga...

Foi quando perdi a minha gatinha que mais vontade tive de voltar a escrever, porque é algo que me ajuda muito: desabafar e deixar os sentimentos registados para poder lidar melhor com eles. 
Na altura não o consegui fazer mas acho que ainda vou a tempo.

A Nina estava connosco há 15 anos, passou comigo muitas fases da minha vida, já fazia parte da família quando fui mãe pela primeira vez e viu-o crescer, e a mim também. Era uma gata muito dona do seu nariz que só fazia aquilo que queria e não gostava nada de visitas, mas ao mesmo tempo era muito mimada e ligada a nós, adorava dormir ao lado (ou em cima) da sua dona e ronronava muito, principalmente comigo e com o dono mais pequeno.

No geral, foi uma gata saudável e não dava muito trabalho, portanto quando começou a emagrecer foi muito estranho pois eu já estava habituada a ter uma gata gordinha. De um momento para o outro deixou de comer e começou a ficar prostrada, aí fomos com ela ao veterinário que diagnosticou icterícia devido a uma infecção, fez antibiótico e outra medicação para melhorar o apetite que durante algum tempo pareceu resultar. Voltou a comer, apesar de pouco, e a ficar mais espevitada. 
No entanto, passado uns dias voltou a recusar comida, mesmo comigo a dar com a seringa, nem a água aceitava. Foi fazer raio-x que acusou mais uns quantos problemas e assim que possível voltamos com ela ao veterinário e delineámos um plano de recuperação. Nesse dia o veterinário queria ficar com ela internada, mas eu já tinha perdido um gato no internamento e pedi para ficar com ela nessa noite, visto que os tratamentos só iriam ser iniciados no dia a seguir de manhã. 

Chegámos a casa e custou-me muito vê-la naquele estado, não queria fazer nada e no veterinário olhava para mim com um ar... Como se não quisesse estar ali. Naquele momento tive de tomar uma das decisões mais difíceis da minha vida e falei com ela, disse-lhe que se quisesse lutar pela vida para aguentar mais aquela noite e no dia a seguir estaria ao seu lado para a ajudar no que fosse preciso. Mas se não conseguisse fazê-lo mais que se deixasse ir, que me tinha feito muito feliz e que nunca seria esquecida. Como já costumava acontecer, à noite deitou-se ao meu lado e eu dormi agarrada a ela. A meio da noite comecei a senti-la com algumas dificuldades em respirar, tentei acalmá-la, senti-a dar o último suspiro e o seu coração parou de bater na minha mão...

Sinto que foi sem sofrimento e porque quis, e estava num dos seus sítios preferidos, na nossa cama junto aos donos. Chorei, chorei e solucei, ao ponto de acordar o meu filho que se apercebeu logo do que se tinha passado, até porque já tínhamos falado sobre essa possibilidade. Ele chorou muito também até que finalmente voltou a adormecer. Quando a minha enteada acordou, o pai contou-lhe e eu ao ouvi-la chorar voltei a chorar também, a dor foi tão forte mas sei que ela cumpriu a sua missão e foi em paz. 

Passar por tudo isto grávida não foi nada fácil, temos sempre medo de passar estes sentimentos para o bebé, e muitas vezes se diz às mulheres para não chorarem, não sofrerem. Mas sei que não devo esconder os meus sentimentos, até porque é impossível para quem está por perto, quanto mais para um ser que está dentro de mim. Portanto chorei o que senti que tinha de chorar e falei muito com a minha barriga, disse-lhe que estava tudo bem connosco, que tínhamos perdido uma amiga de longa data, que eu gostava que conhecesse melhor, sim, porque conheceram-se. A Nina adorava encostar-se à barriga e ronronar e por vezes até parecia haver ali alguma comunicação entre elas, e foi lindo de se ver!


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A vontade que superou o medo!

No meu último post expliquei a minha ausência e terminei com um medo de voltar a engravidar que ainda era maior do que a vontade de ser mãe. Mesmo tendo este desejo tão forte e há tanto tempo, depois de uma perda gestacional o pânico de voltar a acontecer era tanto que nem conseguia pensar em engravidar novamente.

Com o passar do tempo e algum trabalho emocional, a vontade de gerar um bebé foi voltando a ficar mais forte, o medo nunca desapareceu mas aquele sentimento de querer ter um bebé nos braços foi-se intensificando mais e mais... Passados uns bons meses lá nos decidimos a largar os contracetivos e sem grandes expectativas ver o que acontecia, e não foi preciso esperar muito pois logo no primeiro mês, antes sequer de recomeçar medições de temperatura ou mapeamento do ciclo já tinha acontecido, voltei a engravidar e um misto de emoções apoderou-se de mim. 

O medo ainda era muito e se da anterior gravidez soube logo que estava grávida, desta vez os sintomas estavam mais camuflados ou eu estava em negação e só fiz o teste depois de alguns dias de atraso. 

A notícia da gravidez foi bem recebida, mas não conseguimos festejar e foi um segredo só nosso durante as primeiras semanas. Fui à primeira consulta, onde se marcou logo uma ecografia para datar a gravidez e confirmar se estava tudo bem. 

E lá fomos, às 7 semanas vimos o nosso bebé pela primeira vez, estava tudo bem e apesar de ainda muito reticentes lá nos decidimos a contar a novidade a quem convivia diariamente connosco. 

Às 8 semanas, o tempo da perda anterior, houve um respirar de alívio, como se a primeira meta tivesse sido ultrapassada. Mas essa sensação durou pouco tempo quando passados 4 dias acordei durante a noite e tinha sangramento ao limpar. A caminho do hospital, as afirmações positivas foram a minha ajuda, repetia-as como se fossem mantras: "O meu corpo protege o meu bebé"; "Eu tenho uma gravidez saudável e um bebé saudável"; "Eu confio no meu corpo". 

Não era fácil dizer ou pensar nestas frases, quando há tão pouco tempo eu me tinha sentido tão traída pelo meu corpo, mas quanto mais repetia mais me acalmava e lá chegámos ao hospital. Felizmente fomos rapidamente atendidos, e fiquei bem melhor depois daquela frase "Está tudo bem com o seu bebé!".

O susto deveu-se a um descolamento de placenta com recomendação de ficar em casa, e aguardar para ver como evoluía, e felizmente não passou disso. Portanto o medo tem estado sempre presente nesta gravidez, bem forte, mas a confiança no meu corpo foi aumentando cada vez mais, portanto brevemente venho contar mais aventuras desta nova caminhada, espero eu que com mais frequência.